A oradora convidada foi a bombarralense Teresa Mouga, professora coordenadora da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, do Instituto Politécnico de Leiria, que de forma sintética deixou vários alertas sobre o estado do nosso planeta e apresentou algumas soluções que dariam um importante contributo para inverter a atual situação em que este se encontra.
Na abertura da sessão, o Padre Sérgio Bruno, Prior da Paróquia do Bombarral, Roliça e Vale Covo, explicou que com esta iniciativa pretendeu-se “olhar um pouco para carta encíclica do Papa Francisco, que nos fala desta casa comum que é o este planeta onde vivemos e das responsabilidades que todos nós temos”.
Justificando o convite endereçado a Teresa Mouga, o pároco destacou as “suas capacidades técnicas e de investigação”, apresentando de seguida o seu currículo e alguns dos projetos nos quais a docente se encontra envolvida.
“A Dr.ª Teresa Mouga tem a capacidade técnica e tem a experiência de procurar viver a vida cristã, podendo por isso dar-nos uma ajuda a escutar o Papa Francisco e os desafios que ele nos deixa”, concluiu.
Como Teresa Mouga começou por explicar, esta apresentação, que tem vindo a realizar em vários locais, procurou mostrar “de que forma é que podemos abordar as dificuldades” que o planeta enfrenta.
Numa alusão ao que nos é transmitido pelo Papa Francisco, a docente salientou que, “enquanto cidadãos e enquanto cristãos, todos nós temos a grande responsabilidade de cuidar desta nossa casa comum”,
“Na última centena de anos temo-nos vindo a afastar significativamente da terra, o que não pode acontecer”, alertou Teresa Mouga.
Recorrendo ao relatório da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, publicado em 1987, a docente explicou que a sustentabilidade é definida como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, de água, de alimento, de habitação, de energia, mas sem comprometer as necessidades das gerações futuras”.
Atualmente, como alertou, esta situação não se verifica, uma vez que “estamos a consumir mais do que podemos e a terra não consegue dar resposta”. “Não estamos a fazer um bom trabalho para as gerações futuras”, lamentou.
Na sua apresentação, a docente começou por abordar os principais problemas que afetam o nosso planeta como o crescimento populacional, a saúde ecológica da terra, a dependência do petróleo, as alterações climáticas e a diminuição do índice global de biodiversidade.
No capítulo das soluções, Teresa Mouga defende a necessidade de substituir o atual modelo de economia linear, por um modelo de economia circular, apostando na transformação dos resíduos em matéria-prima.
A docente apontou a aquacultura e a produção de algas como uma das soluções para ajudar a resolver a questão da alimentação da população mundial e elencou outras áreas de intervenção como a produção de biocombustíveis, o uso de microalgas para redução da poluição ou ainda a aposta no ecoturismo.