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Mata Municipal do Bombarral

A Mata Municipal do Bombarral é o que resta de uma antiga Coutada. Tudo leva a crer que a Coutada seja bastante anterior à existência do próprio Bombarral, enquanto lugar ou localidade, podendo mesmo ter contribuído para o seu crescimento e desenvolvimento, em virtude de ter trazido para o Bombarral a família Henriques, uma das principais de Óbidos e a primeira família nomeada no Bombarral.   

A Casa da Coutada (mais tarde Palácio dos Henriques, Palácio Camilo e atual edifício da Câmara Municipal) terá pertencido a Pero Esteves, “homem principal do Bombarral”. No entanto, em virtude do seu apoio ao partido de Castela, foram-lhe confiscados por D. João I todos os bens e doados, em 1 de abril do ano de 1384, a Luís Henriques, seu apoiante e auxiliar como cavaleiro nas batalhas contra castela.

A Casa da Coutada serviu, durante muito tempo, de alojamento à Realeza que pelo Bombarral passava: “alguns dos nossos reis, e também D. João I de Castela, estiveram no Bombarral, com alguma demora (…) diz-se que outros reis aqui estiveram e que também a excelsa e virtuosa Rainha D. Leonor, algumas vezes aqui se demorou nas suas viagens para o Norte”.


 
"Um trecho do Parque do Palácio Camilo"
   "Uma rua do parque do Palácio Camilo"

Durante muitos séculos terão existido nesta Região densas florestas de carvalhos e castanheiros. A Coutada terá sido isolada destas matas para usufruto do seu proprietário, no entanto, provavelmente formaria um continuo com as matas adjacentes, nomeadamente para Norte, com a Mata da Quinta da Granja (com características muito idênticas e ainda existente) que se estenderia depois pelo Sobral e Carvalhal (atente-se no pormenor da toponímia).   

A Mata Municipal, talvez por ser uma coutada particular, terá mantido um interessante grau de preservação da vegetação original até à atualidade. Não existe notícia de incêndios ou outras situações de destruição em resultado da ação da mão humana. O mesmo não se poderá afirmar relativamente às causas naturais. Em fevereiro de 1941, um ciclone terá provocado sérios danos na Mata. Foram removidas duzentas e cinquenta toneladas de madeira de aderno, medronheiro, carrasqueiro, etc., tendo sido os dois primeiros os mais sacrificados.

Em 1939, data aproximada da imagem aérea mais antiga a que tivemos acesso (na obra de Augusto José Ramos), a área ocupada pela Mata era relativamente maior que a atual. O crescimento da urbe acabou por consumir parte desta área, deixando-a com os atuais cerca de 3,9 hectares. A última grande parcela (cerca de 1000 m2) terá sido consumida por ocasião da construção da Igreja do Santíssimo Salvador do Mundo, inaugurada em 1953.

Em 1940 a Mata e respetivo palácio são adquiridos pela Câmara Municipal do Bombarral pela quantia de 300 contos. O Palácio para Paços do Concelho e a Mata para parque municipal. no ano seguinte é classificada de “Interesse Público” (Diário de Governo 299, II Série, 24/12/1941).